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Técnicos
CKMB
As Macro CKs como Interferentes na Determinação da CKMB.
Márcio Henrique Lacerda Arndt
5/3/2008 

A Creatinoquinase (CK), também chamada de creatina-fosfoquinase (CPK ou CK), é uma enzima com vasta distribuição tissular e que desempenha importante papel regulador no metabolismo intracelular dos tecidos contráteis. A CK é uma isoenzima abundante no músculo (CK-M) e no cérebro (CK-B) e existe no soro na forma de dímeros, como CK-MM, CKMB e CK-BB. Existe também uma quarta isoenzima, chamada CK Mitocondrial (CKMt) que é imunologicamente diferente das outras isoenzimas e localiza-se entre as membranas internas e externas mitocondriais. No entanto, a presença da CKMt é raramente observada no soro.

Encontramos também no soro as Macro CKs, encontradas em duas formas macromoleculares, Tipo 1 e Tipo 2. A Macro CK Tipo 1 é a CK-BB associada à imunoglobulina G (IgG) ou a CK-MM associada à imunoglobulina A (IgA) (ver figura abaixo). A Macro CK do Tipo 2 é a CKMt oligomérica, com várias subunidades associadas, presente em lesões teciduais severas. Estudos recentes têm associado a presença destas macromoléculas às neoplasias malignas, entre elas o carcinoma de próstata.

 

Representação Esquemática das Isoenzimas da Creatino Quinase

O método para a dosagem da CKMB consiste da medida de sua atividade na presença de um anticorpo monoclonal anti-fração CKM do dímero, que inibe tanto a isoenzima CKMM quanto a subunidade M da CK-MB. Em indivíduos normais, a atividade enzimática detectada no soro é de aproximadamente 96 % para CK-MM e 4 % para CK-MB, sendo o dímero BB encontrado principalmente no cérebro e ausente no sangue periférico. Considerando a inexistência do dímero BB no sangue periférico, a atividade da CKMB é então dosada pela subunidade B, já que a subfração M é neutralizada pelo anticorpo monoclonal do reagente.

Atualmente, sabe-se que em alguns casos a dosagem da CK-MB pode ser superestimada devido à presença das isoenzimas Macro CKs em concentrações significativas no soro. A detecção destas macromoléculas no soro de alguns pacientes, anteriormente vista como interferente indesejável no método de dosagem de CK-MB, tem sido agora considerada importante para o direcionamento de um estudo mais detalhado do paciente. Além disto, a detecção de macromoléculas durante a observação de valores de CK-MB superiores aos de CK total (CK-NAC) pode ser facilmente confirmada e não impede a dosagem real de CK-MB.

De acordo com Yuu e colaboradores (1980), o aquecimento do soro é capaz de inativar as formas comuns de CK no soro (CKMM e CKMB) mas, devido à interação macromlecular com as imunoglobulinas IgA e IgG, as Macro CKs são resistentes ao aquecimento, padronizado pelos autores numa incubação da amostra a 56oC durante 10 min.

Desta forma podemos, através de um cálculo simples, determinar a atividade real da CKMB e confirmar a presença de Macro CKs na amostra do paciente. Deve-se suspeitar da presença das isoenzimas macromoleculares quando a medida da atividade de CKMB excede em 20% a atividade de CK Total.

Procedimento Técnico para Exclusão da Atividade Macro CK da Dosagem de CKMB

 

 

A - Realizar a dosagem de CK Total e CKMB
B - Aquecer o soro a 56 °C por 10 minutos.
C - Dosar novamente a CKMB

CKMB (U/L) = CKMB sem aquecimentoCKMB após aquecimento

Bibliografia

 

1 - Camarozano ACA, Henriques LMG. Arq. Bras. Card. 1996; 66 (3): 143-147

2 - Pereira MB, Korkes H, Schubsky V et al. Rev. Bras. Medic. 1982; 49: 648-50

3 - Yuu H, Ishizawa S, Takagi Y, Gomi K, Senju O, Ishii T. Clin. Chem. 1980; 26: 1816-20

4 - Guyton, Fisiologia Humana e Mecanismos das Doenças 1993, 5ª edição.

5 - Westgard JO, Barry PL, Hunt MR, Groth T. A multi-rule shewhart chart quality control in clinical chemistry. Clin. Chem., 27:493-501,1981.

6 - Tietz, NW. Fundamentals of Clinical Chemistry, 2nd Ed.; W.B. Saunders, Philadelphia, PA (1976).

 

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